Littlee tales é um blog com pequenos contos, criado como válvula de escape para minha vontade de escrever aliada a minha falta de tempo de compor histórias maiores e mais complexas. Deixe um comentário, seja ele crítica, sugestão ou elogio.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Relatório



- José! Onde está meu relatório trimestral? - gritou o homem de barba cerrada.
- Estou terminando senhor. - respondeu-lhe o funcionário por trás da pilha de papéis.
Havia um prazo determinado para a entrega dos relatórios, e estava atrasado como sempre, fazer a contabilidade da empresa não era tarefa fácil ainda mais quando ninguém colaborava. Já havia ido buscar notas fiscais por toda a empresa mas as contas nunca batiam porque não guardavam todas as notas segundo as regras da organização.
José olhava o relógio apreensivo, não conseguiria terminar a tempo e mais um dia de atraso seria inadmissível para seu chefe. Imaginou o homem de barba cerrada caminhando na direção de sua mesa com os cabelos ralos e manchas de suor na camisa para gritar com ele mais uma vez. Não podia passar por isso de novo, desta vez se não terminasse jogaria os papéis na cara do gordo e se demitiria, e os ponteiros do relógio corriam sem trégua.
Caminhou a passos largos pelo corredor em direção a sala do chefe, adentrou a sala triunfante e colocou o pesado relatório sobre a mesa do chefe. - Consegui, está pronto. - disse-lhe olhando de cima.
- Muito bem, amanhã vou examinar.
José começou a se afastar para voltar a sua mesa.
- José. - chamou-lhe novamente.
- Sim, senhor? - estufou o peito pronto a ouvir o elogio.
- Junte suas coisas, está despedido.

sexta-feira, 1 de março de 2013

A chuva



Trovejou, e as gotas começaram a cair finas sobre o telhado. A chuva estava gelada, lavando as paredes da casa enquanto escorria até o chão. O guarda chuva estava encostado atrás da porta, junto as botas. O pequeno homem observou a rua pela janela, o tempo estava exatamente do jeito que ele gostava, chuvoso e frio. Ele caminhou até a porta calçou as botas, agarrou o guarda chuva e saiu porta afora com os respingos de água batendo no rosto enrugado.
Para o homem, aquele era um ótimo lugar para pensar, caminhar durante a chuva sempre lhe fez bem, e sabia que depois de uma chuva, sempre podia surgir um arco iris.

Amor



O sol tornara-se laranja enquanto descia de encontro ao mar, de mãos dadas os namorados caminham pela beira do mar e a água salgada tocava seus pés apagando as pegadas deixadas na areia.
- Você me ama? - ela perguntou para ele.
- Claro que amo! - ele respondeu sem pensar.
- Vai me amar pra sempre? - ela insistiu.
- Sempre. - ele refletiu por um instante. Já havia respondido mas a palavra ainda ecoava em sua cabeça. "Sempre", "Sempre", será que realmente ia ama-la para sempre? Mesmo quando eles brigassem, ela sentisse ciúme dos seus amigos ou ela fizesse algo que não gostasse, ia ama-la do mesmo jeito?
Ela lhe deu um grande sorriso. Ele percebeu que não se preocupava mais com o amanhã. Ele amava ela agora, e o "Agora" era mais importante que o "Sempre". Continuaram caminhando juntos.