Suas pernas balançavam no vazio, podia ver as luzes dos carros passando lá embaixo. A alvora estava chegando lentamente e a grande cidade acordava aos poucos.
- Eu não acredito que ele fez isso comigo... - havia encontrado o ex-namorado na cama com sua melhor amiga e a lembrança da imagem ainda estava fresca na cabeça.
- Eu confiava nele...e nela...são uns falsos! - balbuciava devagar com lágrimas nos olhos.
Criou coragem, respirou fundo, pôs-se em pé, olhou para o alto.
- Não há mais nada aqui para mim...- lançou o corpo para frente, sentiu seus pés perdendo o chão e seu corpo sendo puxado pra baixo.
Arrependeu-se no momento em que estendia os braços para frente, tentando se agarrar algo que não estava lá. Havia mais homens no mundo, e muitos melhores que o ex-namorado com certeza, não devia ter se jogado, estava errada, a vida podia lhe trazer um outro amor.
O chão se aproximava, não, ela pensou, fiz o certo, não quero viver no mesmo mundo que aquela falsa. Não acredito que ela foi capaz de uma coisa daquelas, era uma nojenta. Deixou a gravidade fazer seu trabalho sem se importar.
Arrependeu-se, mas, e sua mãe? Como foi fazer uma coisa destas com sua família? O que o seu pai diria quando lhe contassem o que fez? Era com certeza uma covarde que fugiu da vida sem olhar pra trás. Como reagiria seu irmão mais novo? Que exemplo ela estava deixando para o pobre coitado...
O chão se aproximava, sei que ficarão bem, e além do mais, a vida é minha e eu faço o que quiser dela. A mãe iria chorar e o pai repreender mas teriam de aceitar sua decisão. E o irmão? Pois o irmão que crescesse porque o mundo não era um mar de rosas.
Arrependeu-se, ainda tinha uma vida inteira pela frente, e surpresas demais para que desse fim a tudo por uma decepção amorosa. Afinal de contas, quem nuca teve uma decepção amorosa? Casais se desmancham o tempo todo e nem por isso as pessoas pulam de prédios.
O chão se aproximava, meu Deus, ela pensou, eu devia ter usado uma arma...

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